No tratamento da ansiedade a psicoterapia é uma ferramenta fundamental e muitas vezes a primeira linha de abordagem, Escolha a orientação psicoterapêutica e/ou o terapeuta é sempre um desafio.
Em Psicologia clínica, os psicoterapeutas especializam-se em diferentes áreas, tendo cada uma as suas especificidades quanto à indicação como quanto à adequação à pessoa em questão.
Duas das correntes psicoterapêuticas com eficácia baseada na evidência para a Ansiedade são a Terapia Cognitivo Comportamental de 1ª geração (CBT) e a Terapia ACT (Aceitação e Compromisso).
Vejamos um exemplo de como abordar esta questão:
As diretrizes mas recentes, tanto da OMS como do NICE, enfatizam uma abordagem por etapas ("stepped-care"), priorizando intervenções menos invasivas inicialmente e reservando a farmacologia para casos mais graves ou persistentes.
Abordagem Psicológica e Comportamental
• Intervenções de Primeira Linha: Recomenda-se a oferta de intervenções psicológicas estruturadas breves baseadas nos princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para adultos com Perturbação de Ansiedade Generalizada (PAG) e/ou Perturbação de Pânico.
• Formatos: As diretrizes da OMS (2023) destacam a flexibilidade na entrega destas terapias, incluindo formatos presenciais (individuais ou em grupo), digitais/online e autoajuda guiada ou não guiada. A autoajuda guiada é considerada superior à não guiada.
• Gestão de Stress e Exercício: Técnicas de gestão de stress (relaxamento e mindfulness) e exercício físico estruturado são recomendados como tratamentos eficazes.
• Terapias de Terceira Geração: A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é apresentada como uma alternativa viável à TCC, focando-se na flexibilidade psicológica, aceitação e valores, em vez da mera redução de sintomas.
Abordagem Farmacológica
• Antidepressivos: Os Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS), como a sertralina, o escitalopram ou a paroxetina, são considerados o tratamento farmacológico de primeira linha para a PAG e o Perturbação de Pânico. Se os ISRS não forem eficazes ou tolerados, podem ser considerados Inibidores da Recaptação da Serotonina e Noradrenalina (IRSN) como a venlafaxina.
• Restrição de Benzodiazepinas: Existe uma recomendação forte contra o uso de benzodiazepinas para o tratamento da ansiedade a longo prazo. O seu uso deve ser restrito apenas ao tratamento de emergência de sintomas agudos e graves, e por um período muito curto, devido ao risco de dependência e eficácia reduzida a longo prazo.
• Duração: Se a medicação for eficaz, recomenda-se a sua continuação por pelo menos 6 a 12 meses após a remissão para prevenir recaída.
E a Psicoterapia Psicodinâmica?
Sim, a psicoterapia psicodinâmica tem indicação formal e eficácia comprovada para o tratamento de diversas perturbações de ansiedade.
Embora a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) seja frequentemente a primeira escolha em diretrizes clínicas, evidências científicas demonstram que a abordagem psicodinâmica apresenta resultados equivalentes a longo prazo, especialmente em casos de fobia social, perturbação de pânico e ansiedade generalizada.
Por que é indicada para a ansiedade?
Diferente de abordagens focadas apenas no alívio imediato dos sintomas, a terapia psicodinâmica explora as raízes profundas do quadro:
Identificação de Conflitos Inconscientes: Parte do princípio que a ansiedade surge de conflitos interna a explorar.
Padrões de Relacionamento: Foca em como experiências interpessoais moldam a forma como a pessoa lida com o stress e o medo hoje.
Mecanismos de Defesa: Ajuda a compreender como a mente se protege de sentimentos dolorosos, transformando-os muitas vezes em sintomas ansiosos.
Benefícios Duradouros: Estudos indicam que pacientes submetidos a esta terapia continuam a apresentar melhorias mesmo após o término do tratamento, pois desenvolvem maior autoconhecimento e recursos internos.
Quando é especialmente recomendada?
É indicada particularmente quando a ansiedade está associada a:
Dificuldades crónicas em relacionamentos.
Traços de personalidade que contribuem para o sofrimento.
Sensação de estar "preso" em ciclos repetitivos de comportamento.
Resistência a tratamentos mais diretivos ou puramente farmacológicos.